Disney+ cumpre promessa e reconhece racismo em animações; saiba quais

Por Portal do Holanda/Átila Simonsen

21/11/2020 12h05 — em 1 Minuto Nerd por Átila Simonsen

Disney coloca mensagens sobre racismo em animações. Foto: Reprodução

Havíamos falado aqui antes: segundo o Deadline, a Disney+ a produtora do Mickey colocou avisos sobre racismo antes das animações e durante alguns momentos específico, informando que  ‘estes estereótipos estavam errados na época e estão errados agora’.

Um dos piores momentos racistas está em A Canção do Sul (1946) e a coisa é tão feia que o longa foi simplesmente retirado totalmente do catálogo.

Em outros desenhos, porém, segue a frase:

“Este programa inclui representações negativas e/ou maus tratos de pessoas ou culturas. Estes estereótipos eram incorretos na época e continuam sendo incorretos hoje em dia. Em vez de remover esses conteúdos, queremos reconhecer o impacto nocivo que eles tiveram, aprender com a situação, e despertar conversas para promover um futuro mais inclusivo juntos“.

Neste momento, você ainda recebe uma sugestão para ir ao site Stories Matter, espaço na web onde é explicado melhor sobre a questão do racismo em cada filme Disney.

Confira as animações que já se redimiram (via Cinepop):

Dumbo

Dumbo (1941) conta a história de um elefantinho de circo que nasce com orelhas gigantes e, após sofrer diversas humilhações, descobre que é capaz de voar com elas. A mensagem aqui é direcionada não apenas para alertar sobre bullying e maus-tratos aos animais, mas principalmente para a sequência final do filme, em que Dumbo é acompanhado por corvos “malandros”. O líder do grupo de corvos é Jim Crow, que replica estereótipos das pessoas negras nos EUA dos anos 1940 e faz referência às leis segregacionistas americanas. Além disso, a representação dos trabalhadores do circo é esterótipo puro.

 

Peter Pan

A história de Peter Pan mostra a jovem Wendy sendo levada para a Terra do Nunca, onde os meninos perdidos não crescem e precisam enfrentar o terrível Capitão Gancho. O alerta da Disney para essa história é feito pela reprodução de vários conteúdos racistas contra os nativo-americanos. A começar pela palavra “redskin”, que é como eles se referem aos nativos no filme, que é uma palavra racista. Chamar um indígena de “Pele Vermelha” é algo que acontece algumas vezes no filme, chegando até mesmo a ter uma música originalmente chamada de “O que torna o homem vermelho vermelho”. Fora isso, a cena em que eles se fantasiam de nativos, com cocares e machadinhas, foi enquadrada como apropriação cultural.

 

 

A Dama e o Vagabundo - A trama da cachorrinha de apartamento que se apaixona pelo cachorro turrão de rua é uma das mais clássicas da história do cinema, mas mesmo sendo esse clássico imortal, A Dama e o Vagabundo não escapa da reprodução de racismo. E a escala aqui é global. Isso porque a cena do canil traz cachorrinhos de várias partes do mundo falando com sotaques estereotipados, como o chihuahua (méxico). Mas o aviso principal aqui se refere aos gatos siameses, que pegam todos os preconceitos possíveis contra os asiáticos e atribuem aos dois gatinhos em forma de piada estereotipada.

Cidadela dos Robinson

A Cidadela dos Robinsons é provavelmente o filme mais desconhecido dessa lista. Esse live-action adapta uma história escrita em mil oitocentos e vovô garoto sobre uma família de colonos suíços que está indo para a Nova Guiné, mas sofrem um ataque de piratas e tudo desanda. Os vilões da trama são os piratas asiáticos e a forma como eles são mostrados é extremamente preconceituosa, porque unem diversos estereótipos raciais em um grupo só. Claro que a etnia mais afetada é a asiática, que chega a ser chamada de cara amarela.

Mogli, o menino lobo

Mogli, o menino lobo -O pequeno Mogli é um menino que é abandonado na floresta indiana e acaba sendo criado por lobos. Anos mais tarde, quando a pantera Baguera decide levá-lo de volta para a aldeia dos homens, o menino se revolta e foge pela mata, onde encontra os mais variados personagens, como o urso Balu, a cobra Kaa e o tigre Shere Khan. O aviso racista, no entanto, é feito por conta de outro personagem também amado pelos fãs: o Rei Louie. Para quem não se lembra, ele é um orangotango com problemas de dicção que canta “I Wanna Be Like You“, uma das melhores, senão a melhor música da Disney, que tem uma pegada forte de jazz. Pois bem, isso não é por acaso. O personagem, barrigudo, preguiçoso, fanfarrão e cantor de jazz foi inspirado nos estereótipos racistas dos negros de Nova Orleans. O aviso é que essa representação seja ofensiva na atualidade, mas que passou na época porque o racismo era algo “tolerado”.

Aristogatas

O caso de Aristogatas – que conta a história da gatinha Duquesa e dos filhotes, que são abandonados pelo mordomo da Madame Adelaide, que teria colocado os gatos como herdeiros de sua herança, e acabam encontrando o gato O’Malley que precisa ajudá-los a voltar para casa – é bem parecido com o de A Dama e o Vagabundo. O alerta é feito por conta do gato siamês Shun Gon, que toca pianos com um hashi, tem os olhos muito puxados, dentes amarelados… Enfim, reúne todos os estereótipos racistas possíveis do povo asiático em um personagem só.

A decisão da Disney+ é mais um passo para que ela mesma faça a sua redenção. Foi ela quem ensinou as meninas sobre príncipe encantado e que elas só podem ser felizes com um, porque só um macho seria capaz de fazer uma menina-mulher feliz (e salvá-la).

Confirmados os avisos, estamos em frente à História. A Disney criou gerações de machistas, misóginos, racistas e preconceituosos de todo o tipo e, agora, pode melhorar o mundo inteiro explicando o básico: Respeito é para todes.

 

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Átila Simonsen

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